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terça-feira, 14 de maio de 2019

Onde está Teresa?

Um homem careca e carrancudo, muito parecido com o vilão dos Vingadores, encostou no balcão da biblioteca e questionou minha colega:

- A Teresa tá aí?

- Mas, quem é Teresa?

- Teresa é minha filha.

- Desculpe, não conheço.

O homem agitado andava de um lado para o outro bufando feito um touro. 

- O senhor pode entrar nas salas de leitura e ver se ela está lá.

O homem foi, voltou e novamente perguntou:

- Mas, a Teresa veio aqui hoje?

- Dá uma olhada no livro de presença. Vê se ela assinou.

Mas, em vez de conferir o livro, o homem sacou o celular do bolso e ligou, provavelmente, para a mãe da menina:

- A moça da biblioteca disse que a Teresa não veio aqui hoje.

Minha colega olhou para mim "p... da vida". Fiz sinal para se acalmasse, deixando o vilão comigo. O homem desligou o celular e novamente se dirigiu a ela:

- Já que eu tô aqui, vou pegar um livro. A senhora tem alguma sugestão?

- Tenho! - eu disse tomando a frente.

Peguei um livro que havia acabado de ser devolvido e mostrei para o carrancudo.

- Leva este aqui.

O "Thanos cover" fechou ainda mais a cara, mas, graças a Deus, não estalou os dedos. 

Não sei porque ele foi embora chateado. 

Segue abaixo o livro que indiquei:




Irônico? Eu? 

Não! 

Eu só quis ajudar...

INSTAGRAM: PAULO SERGIO





quinta-feira, 11 de outubro de 2018

O fantasma da biblioteca




A loira do banheiro é coisa do passado.

Segunda-feira passada, estávamos fechando a biblioteca e eu fui verificar se algumas luzes estavam apagadas.

Quando me aproximei do banheiro do fundo, a porta se fechou. Voltei lá pra frente reclamando:

- Brincadeira! A pessoa vem usar o banheiro bem na hora da gente fechar.

Minha colega Wal disse que quem estava no banheiro era uma senhora que passou por ela e disse coisas que ela não entendeu.

Seria estrangeira?

Ficamos conversando lá na frente e esperando. E a senhorinha nada de sair. 

Depois de um certo tempo, preocupado, comentei com a colega Lu:

- Será que a senhorinha está passando mal? 

Como o banheiro era feminino, pedi que minha colega fosse bater na porta. 

Ela bateu. Chamou. E nada. 

Virou a maçaneta. Estava aberta.

- Paulo, não tem ninguém aqui.

- Como assim?

Fui até lá. Não havia ninguém mesmo.

Olhamos no outro banheiro, ao lado. Nada.

A Lu riu da minha cara de espanto.

Teria sido coincidência a porta se fechar bem na hora que eu me aproximei?

Pode ser.

Mas e a senhorinha de fala estranha que a Wal viu?

- Era loira - ela disse.

Então, não tive dúvidas: era a loira do banheiro. 

Fantasmas também envelhecem.