sábado, 22 de setembro de 2018

Desatenção

Vivemos a era da contradição.

Nossos olhos estão grudados no celular querendo acompanhar tudo, mas não prestamos atenção em quase nada. Seja na internet, seja ao redor.

Certa vez, uma senhora entrou na biblioteca perguntando:
- Aqui é uma sorveteria? 

Respondi:
- Sim. Qual sabor vai ser hoje? Chocolate ou Melancia?





Ela:
- Na verdade, eu só quero algo pra beber.

Eu:
- Recomendo "Amor líquido"...





Claro que não respondi isso. Mas tive vontade.

Outra coisa que acontece direto aqui é as pessoas perguntarem pelo setor da habitação, que fica no andar de cima.

- Oi. Aqui é o setor da habitação? 

- Não. O setor de habitação fica na parte de cima.

Tenho mania de falar isso e apontar pra cima. E as pessoas SEMPRE olham pro teto.

- Tem alguém atendendo lá agora?

- Sim. - respondo mentalmente. - "O homem no teto".




Lembro de um episódio em que eu estava sentado em frente à máquina de escrever (SIM! Nós ainda usamos máquina de escrever) quando, de repente, entrou uma menininha e disse:
- Olha, mãe! O museu!

Não sei se ela disse isso por causa da máquina ou se me achou com cara de múmia.




O fato é que mesmo quando estamos prestando muita atenção, coisas estranhas podem acontecer, como um furto.

- Moço, vocês têm o livro "A menina que roubava livros" ?

- Infelizmente não mais. Foi roubado.

- Sério? 

- Sério. E desconfio que foi uma menina...

Mais tarde, arrumando as prateleiras, descobri que o livro não havia sido roubado, mas apenas guardado no lugar errado.














quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O nome do livro


- Bom dia, moço!
- Bom dia!
- Moço, eu queria saber se vocês têm um livro...
- Sim. 
- Ai, mas, acho que vocês não têm...
- Qual o título?
- Título... Só um minutinho... (procura algo dentro da bolsa) - Ai não trouxe o meu título de eleitor.
- Não, moça! O título é o nome do livro que você quer.
- Ahhhhhhh!!! Entendi. Mas, eu acho que vocês não vão ter aqui.
- Talvez a gente tenha. Mas pra saber, só você me falando o nome do livro.
- O nome do livro éééééé...
- É... ?
- Não lembro.
- (Suspiro) Certo! Você se lembra o nome do autor?
- Também não.
- Hum... Assim fica difícil. Mas, o livro fala sobre o quê?
- Ah, foi a minha amiga que indicou.
- Tá. E ela disse do que se tratava a história? 
- Fala sobreeeeee... Como eu posso dizer? É uma história meiooooo... 
- Meio...?
- Mais ou menos curta.
- Curta?
- É.
- Assim fica bem difícil...
- Não acho não. Histórias curtas são bem mais fáceis de ler porque terminam logo.
- (Suspiro) Esquece... Seria um livro de contos, talvez?
- Ou não.
- (Suspiro) Nossa, moça. Eu juro que eu quero te ajudar. Mas, sem o título, o autor ou o assunto fica praticamente impossível.
- AH! LEMBREI!!! (Ela grita quase me provocando um infarto)
- Lembrou?
- Sim. O livro tem uma capa meio acizentada!

Fiquei olhando fixamente para aquela moça sorridente a minha frente tentando decifrar se ela falava sério ou se ia tirar a máscara e revelar que era o Luciano Huck disfarçado e que a biblioteca estava no quadro "Lar Doce Lar" e finalmente seria reformada.

- Moça. Me desculpe. Mas descobrir um livro assim, pela cor da capa, num acervo de cerca de 16 mil livros, só por um milagre.
- É ESSE, MOÇO!
- Hein?
- O livro se chama "O Milagre" e o autor é o Nicholas Sparks.


Só fiquei numa dúvida: uma história de 326 páginas é considerada curta?

instagram.com/paulosergiofa

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Diários de Biblioteca

Quando eu era criança, chamavam-me muito a atenção as reações que a minha mãe tinha diante dos livros que ela lia. 

Ela sorria, chorava, fechava o semblante, gargalhava... E eu ficava encantado com o poder mágico da leitura.

Dessa minha observação nasceu meu gosto pelos livros.

Levado por minha mãe, passei a frequentar a biblioteca pública da minha cidade, onde logo fiz um cadastro e passei a emprestar livros.

"Um dia, quero trabalhar aqui!" - Eu pensava.

Até que em 2009, prestei um concurso público para trabalhar na biblioteca e passei em terceiro lugar. Mas só em 2013, fui chamado para assumir o cargo. 

Desde então, já se passaram 5 anos! Conheci muitas pessoas e vivi diversas histórias. E decidi compartilhar as mais divertidas aqui.

A partir de hoje, pelo menos uma história por semana será postada.

Sejam todos bem-vindos ao meu blog:

"Diários de Biblioteca"

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